Direitos e Deveres do Locador e Locatário: Quem Paga o Quê na Lei do Inquilinato
Os deveres legais do locador (Artigo 22 da Lei do Inquilinato)
O Artigo 22 elenca as obrigações inegociáveis do proprietário do imóvel:
1. Entregar o Imóvel em Estado de Servir ao Uso: O imóvel deve ter instalações elétricas e hidráulicas funcionais e sem vazamentos pré-existentes;
2. Garantir o Uso Pacífico do Bem: Proteger o inquilino contra turbações e incômodos provocados por terceiros;
3. Responder por Defeitos Ocultos Anteriores à Locação: Infiltrações estruturais crônicas, cupins antigos ou telhas quebradas que já existiam antes da entrega das chaves correm por conta do locador;
4. Fornecer Recibo Discriminado e Descrição do Estado: É dever entregar ao inquilino recibo detalhado de cada parcela paga e fornecer cópia da vistoria de entrega;
5. Pagar Taxas de Administração e Intermediação: Comissões pagas a corretores ou imobiliárias jamais podem ser cobradas do inquilino;
6. Pagar Despesas Extraordinárias de Condomínio: Fundo de reserva, fundo de obras, pintura externa do prédio, reformas no hall e reformas exigidas pelo Poder Público.
Equilíbrio Contratual: O cumprimento rigoroso dos Artigos 22 e 23 da Lei nº 8.245/91 previne litígios: o locador responde por vícios ocultos e despesas extraordinárias, enquanto o locatário é responsável pela conservação diária e despesas ordinárias.
As obrigações legais do inquilino (Artigo 23 da Lei do Inquilinato)
O Artigo 23 descreve o que o inquilino deve cumprir rigorosamente sob pena de despejo:
1. Pagar Pontualmente o Aluguel e Encargos: No dia e local acordados no contrato;
2. Tratar o Imóvel com o Mesmo Cuidado como se Fosse Seu: Zelar pela limpeza, manutenção e integridade das dependências;
3. Restituir o Imóvel no Mesmo Estado em que Recebeu: Salvo as deteriorações decorrentes do uso ordinário natural do tempo;
4. Comunicar Danos Imediatamente ao Locador: Notificar rachaduras, goteiras ou infiltrações para evitar o agravamento dos danos estruturais;
5. Reparar Danos Provocados por Si ou Seus Familiares: Troca de vidros quebrados por bolas de crianças, entupimentos de ralos por cabelo ou reparo em maçanetas forçadas;
6. Respeitar o Regimento Interno do Condomínio: Não produzir barulho excessivo após as 22h e respeitar regras de vagas de garagem e animais;
7. Pagar as Despesas Ordinárias de Condomínio: Salários dos porteiros e faxineiros, limpeza dos corredores, conta de luz das áreas comuns e manutenção de elevadores.
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IPTU: de quem é a responsabilidade legal pelo pagamento?
Pelo Código Tributário Nacional (Artigo 34), o IPTU é imposto vinculado à propriedade imobiliária, sendo o proprietário o contribuinte oficial perante a Prefeitura.
Contudo, o Artigo 22, inciso VIII da Lei do Inquilinato permite expressamente que o pagamento do IPTU e do Seguro Incêndio seja repassado contratualmente ao inquilino.
Para que o inquilino seja obrigado a pagar o IPTU, isso DEVE constar expressamente no contrato de locação. Se o contrato for omisso, o pagamento do IPTU continuará sendo do proprietário.
Reparos urgentes: quem executa e como abater no aluguel?
Se ocorrer o rompimento de um cano mestre na parede ou o desabamento de uma calha, o inquilino tem o dever de avisar o locador imediatamente.
Caso o locador se recuse ou demore para consertar defeitos graves que comprometam a habitabilidade, o inquilino pode executar a obra com três orçamentos prévios e abater o valor correspondente no aluguel subsequente, com respaldo no Artigo 26 da lei.
Perguntas Frequentes sobre Direito Imobiliário & Locações
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